Segurança do Paciente e Prescrição: Evitando Erros Comuns com a Cannabis Medicinal
A cannabis medicinal vem ganhando espaço no tratamento de diversas condições clínicas, como dor crônica, epilepsia refratária, ansiedade, insônia, espasticidade, entre outras. No entanto, apesar do potencial terapêutico, seu uso não é isento de riscos quando prescrito ou utilizado de forma inadequada. A segurança do paciente deve ser o pilar central da prescrição canabinoide. Este artigo aborda os erros mais comuns na prática clínica e como evitá-los, garantindo um tratamento mais eficaz, ético e baseado em evidências. Erros na prescrição de cannabis não são raros e, na maioria das vezes, não decorrem de má conduta, mas sim de falta de informação, expectativas irreais ou ausência de protocolos claros. Este artigo aborda os principais erros relacionados à prescrição de cannabis medicinal e como evitá-los, sempre com foco na segurança do paciente.
Dra. Fernanda Valeriano | CRM-MG 67890
11/26/20251 min read


Um dos erros mais comuns no uso da cannabis medicinal é a crença de que, por ser natural, ela é sempre segura, quando na verdade se trata de um fármaco ativo, com efeitos farmacológicos, interações medicamentosas e potenciais eventos adversos, como sedação, tontura, alterações cognitivas, ansiedade paradoxal, taquicardia e, em casos específicos, dependência. A prescrição segura exige uma anamnese clínica detalhada, com diagnóstico bem definido, avaliação do histórico psiquiátrico, das comorbidades, do uso de outros medicamentos e de condições como gestação ou lactação, pois prescrever sem conhecer o paciente aumenta significativamente os riscos.
Ignorar contraindicações absolutas e relativas, como psicose, gravidez, cardiopatias, transtornos psiquiátricos ou uso concomitante de certos fármacos, também compromete a segurança e reforça a necessidade de individualização. Outro ponto crítico é a escolha inadequada do produto, já que diferentes formulações, concentrações, vias de administração e proporções entre CBD e THC impactam diretamente a eficácia e os efeitos adversos. Iniciar o tratamento com doses altas ou sem estratégia de titulação contraria o princípio do “start low, go slow” e aumenta a chance de abandono terapêutico.
Além disso, a falta de orientação clara ao paciente sobre uso, efeitos esperados, sinais de alerta e restrições de segurança compromete o tratamento, assim como a ausência de acompanhamento clínico contínuo, essencial para ajustes e monitoramento. Desconsiderar interações medicamentosas, especialmente envolvendo o CBD, pode levar a eventos adversos graves, e prescrever sem respaldo técnico, ético e legal expõe tanto o paciente quanto o profissional a riscos. A cannabis medicinal é uma ferramenta terapêutica valiosa, mas seu uso seguro depende de indicação correta, avaliação criteriosa, escolha adequada do produto, titulação individualizada, orientação clara e acompanhamento contínuo, refletindo um compromisso com a ciência, a ética e o cuidado centrado no paciente.
Contato
Fale conosco para dúvidas ou sugestões:
academiadecanabinoides@gmail.com
© 2025. All rights reserved.
Academia Brasileira de Canabinoides